O luto
Tive uma infância, mais ou menos, normal. Morei dos 6 aos 15 com meus avós, um lar cristão, exceto pelos meus tios e primos, que apresentavam problemas com drogas e/ou álcool. Cresci ouvindo cânticos dos hinários e RAP. Pois bem, fui para o lado dos cânticos, corais, teatros - todas as atividades que a igreja oferecia e, uma das que mais me marcou, como membra da sociedade feminina da igreja ela fazia visitas aos enfermos, mas possuía feridas nos pés e varizes que não cicatrizavam, (Gostaria muito de ter o conhecimento que tenho hoje naquela época), desta forma, eu a acompanhava tanto nestas visitas como nos demais eventos que ela e meu avô também participavam.
Neste momento, você deve estar pensando, o que estou fazendo aqui lendo essa história? Sinto muito, mas pra mim isso é o começo.
A relação que desenvolvi com minha avó era o ápice da empatia, a ponto de perder o sono caso algum atrito não fosse resolvido, com os devidos pedidos de desculpas de ambos os lados e lágrimas. Isto só ocorreu duas vezes.
Quando tinha 15 anos minha avó faleceu, um dia antes do ocorrido, ela sinalizou pra mim pelo vidro da UTI que depois falaria comigo, mas eu já imaginava que aquela seria a última vez. No momento da notícia, numa madrugada, assim que a viatura policial chegou para avisar eu me ajoelhei e pedi do fundo da minha alma para que não fosse a morte da minha avó e, que se fosse sua pronta ressurreição (Eu acreditei que minha fé fosse maior que um grão de mostarda).
Naquele momento, eu perdi minha mãe, o luto que vivencio há 25 anos só foi descoberto com terapia, uma descoberta chocante, como uma pessoa pode vivenciar o luto e suas consequências deletérias por tanto tempo sem se dar conta.


Comentários
Postar um comentário